Chega às vezes ser engraçado como
procuramos apenas pessoas diferentes de nós, para nos completarmos...
Início
do Conto
Vejo Matthew jogado no canto do sofá,
naqueles invernos rigorosos de Julho que acontecem aqui no sul. Ele estava
vestindo uma jaqueta de couro marrom escura, uma camiseta vermelha com a
escrita “Duff beer”, um jeans surrado que deveria ser até da adolescência dele
e uma bota de cano médio por cima da calça. Um tímido rapaz americano que veio
se aventurar na “Terra Brazilis”, naqueles programas de intercâmbio da
universidade onde estuda. Ele se ambientou bem em Porto Alegre, já visto que
ele é acostumado a cidades grandes e não teve dificuldades para fazer amizades
com seus novos colegas e também sobre as oportunidades. Ele só teme a violência
e a corrupção que vivem a solta como tigres da selva.
Não é muito ligado no futebol, apesar de ir
seguido aos dois estádios, pra agradar a todo mundo. Diz que prefere o seu
futebol ao invés do “soccer”. Mas alguma coisa atrapalha a estadia dele aqui. A
incomodação se chama Camile. Menina do interior que vai a capital para vencer
na vida, tem nos seus 19 anos a sua glória, já que está no seu segundo ano de
faculdade.
Mas por que tudo isso? É que eles são
diferentes demais.
Matthew é aquele americano que absorveu os
anos 80 e 90 da música do seu país, principalmente o Hard Rock. Ama o rock n’
roll como poucos que se vê no mundo, fora que gosta muito de viajar, de motos,
de caçar e sair bastante. Tem uma fama meio de “bad boy” na universidade, por
ter arranjado e concluído algumas brigas notórias. Sorte do cidadão, que não
foi expulso por certo detalhe. Mas e Camile? Ela gosta de coisas mais
populares, tá sempre ligada nas últimas tendências de moda e maquiagem, uma
frequentadora assídua de academia e de praia, além de gostar também sair
bastante de casa.
Os dois são muito diferentes. Praticamente
seria um romance da Disney, se no fundo do nosso amigo Matthew, não houvesse a
timidez. Ele para arrumar encrenca é um mamão com açúcar de tão tranquilo que
parecia, mas na hora de ir conversar com uma menina desconhecida, ele prefere sumir.
Engraçado né?
Voltando a realidade, Matthew está jogado
no sofá pensando em Camile. Eis que surgem algumas palavras em seu pensamento:
- Por que algumas coisas são tão fáceis para
mim, e ir conversar com esta garota está sendo um inferno de tão difícil? – ao
mesmo tempo em que pensa, dá uma bufada como um touro.
São 02:00 da manhã e ainda não conseguiu
dormir. Isso tudo porque a garota que ele está atraído começou a frequentar algumas
cadeiras da faculdade com ele e supostamente ela começou a ter uma amizade com
uma amiga em comum. É pior tentar dormir, com milhares de pensamentos da
cabeça, como uma colmeia de abelhas revolta dentro da caixa, mexendo-se para
todos os lados sem parar.
Nas horas seguintes, já na faculdade, dá o
destino a sua cartada e surge Camile às pressas entrando pelo corredor e
esbarra no nosso amigo. Imaginem a fúria que ele ficou, mas nem se deu conta na
ajuda que teve. Quando ele ia erguer a voz para falar, surge o rosto dela
angelical, com as bochechas coradas de vergonha pelo ato. Matthew estava com a
mão erguida, fácil para arrumar mais uma briga e ele parou com ela no ar, sem
reação nenhuma:
- Mil desculpas! Não me dei conta que tu
estavas aqui. – disse Camile com aquela voz doce e com sotaque bem cantado.
- N-n-não tem “problem”. – falou nosso
amigo, quase que trancando as palavras na boca.
Naquela hora, os dois ficaram por alguns
segundos se encarando, quase que num duelo de olhares. Camile estava mais suave
com seu olhar, diferente de Matthew que fuzilava a pobre moça. Mas naquele
instante, é como se um sino dentro deles desse uma badalada:
- Camile, vamos que eu te acompanho até a
sala. – disse Matthew carregando os materiais dela que caíram no chão.
- Mas como você sabe meu nome? – disse ela
com cara de surpresa – Tu faz “Cálculo” junto comigo?
- Oh, yes! – disse ele esquecendo-se que
está em outro país.
Camile ficou encantada com o sotaque
ofertado de Matthew. Logo adiante foram os dois até a sala de aula e sentaram
juntos, sendo que depois passariam o dia inteiro conversando sobre suas vidas e
suas diferenças.
Fim
do Conto
Às vezes o destino se encarrega de nos
ajudar, mas em boa parte não tem condições. Mesmo que haja diferenças, tente.
Vá e quebre a cara. A resposta você já tem, que é o “não”. O “sim” só virá se
você agir.
Histórias de amor se fazem nas diferenças.
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